Brasileiros recorrem à Justiça e encontram caminho para cancelar multas de trânsito

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Motoristas têm buscado o Judiciário como alternativa para questionar multas de trânsito consideradas irregulares, especialmente aquelas ligadas a sistemas de estacionamento rotativo. No Rio de Janeiro, decisões recentes vêm suspendendo cobranças e permitindo a regularização de veículos que estavam impedidos de circular legalmente, segundo apuração de O Globo.

 

Casos analisados pela Justiça envolvem acúmulo elevado de multas por estacionamento em desacordo com a regulamentação. Em algumas situações, os débitos chegaram a milhares de reais e colocaram em risco o licenciamento do veículo e a validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A partir da análise dos processos, magistrados identificaram indícios de irregularidades na forma como as autuações foram aplicadas.

Por que a Justiça tem suspendido multas de trânsito

As ações questionam principalmente a participação de empresas concessionárias no processo de fiscalização. De acordo com os autos, veículos estacionados sem pagamento no sistema rotativo eram fotografados por funcionários da concessionária, que deixavam avisos no para-brisa. Caso a regularização não ocorresse em até três dias úteis, a situação era convertida automaticamente em multa de trânsito.

 

A Justiça tem avaliado que esse procedimento pode violar o entendimento do Supremo Tribunal Federal, que proíbe a delegação do poder de polícia a empresas privadas. Com base nisso, liminares vêm sendo concedidas para suspender cobranças, liberar o licenciamento e interromper processos administrativos que poderiam resultar na suspensão da CNH.

Levantamentos citados por O Globo apontam um crescimento expressivo no número de multas após decisões judiciais que afetaram a arrecadação do estacionamento rotativo. Em poucos meses, o volume de autuações quadruplicou, atingindo o maior patamar da última década em algumas cidades.

As concessionárias e prefeituras afirmam que não aplicam multas diretamente e que a lavratura dos autos é feita por agentes públicos, por meio de sistemas homologados. Ainda assim, especialistas avaliam que as decisões judiciais abrem precedente para que outros motoristas recorram individualmente à Justiça.

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