A obrigatoriedade do uso de capacete por trabalhadores rurais virou alvo de disputa polĂtica no Congresso e reacendeu o debate sobre segurança, tradição e fiscalização no campo. Um deputado tenta agora reverter os efeitos de uma norma que, segundo produtores, ameaça substituir o tradicional chapĂ©u de palha por equipamentos de proteção em situações comuns da lida rural.
O autor da proposta Ă© o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS),
presidente da Comissão de Agricultura da Câmara. Ele apresentou um Projeto de
Decreto Legislativo para sustar os efeitos da Portaria nÂş 104/2026, do
Ministério do Trabalho e Emprego, que alterou regras de fiscalização e
aplicação de multas no setor. Entre produtores, a medida passou a ser chamada
de “portaria do capacete no campo”.
Fiscalização mais rĂgida e reação do setor rural
A controvérsia não surgiu por uma mudança direta na Norma
Regulamentadora nº 31, que trata das condições de trabalho no meio rural.
O texto da norma mantém a previsão de que o capacete é
obrigatĂłrio apenas em atividades com risco de impacto, quedas, choques ou
acidentes envolvendo animais ou máquinas. O chapéu de palha não foi proibido,
mas também não substitui o capacete quando há risco técnico identificado.
Segundo Nogueira, a alteração na NR-28 tornou as autuações
mais automáticas e menos dependentes de análise técnica do contexto. Para ele,
isso amplia a margem para multas baseadas apenas na interpretação subjetiva do
fiscal.
O deputado afirma que situações tradicionais, como o
trabalho a cavalo em terreno plano ou o manejo de animais mansos, podem acabar
enquadradas como irregulares. Na avaliação do parlamentar, a portaria gera
insegurança jurĂdica e pode estimular autuações com viĂ©s arrecadatĂłrio, em um
momento de pressĂŁo econĂ´mica sobre o campo.
O projeto não elimina a obrigação de proteger a saúde e a
segurança do trabalhador rural e aguarda votação na Câmara.


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