Os planos de Lula se distanciam dos de Trump, que tenta centralizar o comércio diante do monopólio chinês no mercado
O Brasil descarta
aderir à aliança dos Estados Unidos sobre minerais críticos
proposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump. A
prioridade é firmar acordos bilaterais com outros países, estabelecendo que o
Brasil processe e não só exporte a matéria-prima para outras nações.
O Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo
Estado) apurou que o governo observa a iniciativa de Trump como uma forma de
definir como será o comércio global dos minerais críticos e terras raras a
partir dos interesses norte-americanos.
Na quarta-feira, 4, Trump convidou uma série de países para
formar um bloco comercial visando criar parcerias no setor de minerais
críticos. Convidado, o Brasil enviou um diplomata de nível baixo para indicar
que não deve participar da iniciativa da Casa Branca. A intenção foi ficar por
dentro do assunto e acompanhar os discursos sobre o tema.
Enquanto os EUA tentam centralizar o comércio diante do
monopólio chinês no mercado, os planos de Lula são diferentes, e o Brasil quer
realizar acordos sobre o tema com diferentes países, tendo o processamento
brasileiro como condição.
O tema deve ser levado por Lula nas próximas reuniões
bilaterais com líderes, como a viagem que o petista fará para a Índia no fim do
mês.
Com os indianos, o governo brasileiro discute um acordo
sobre minerais críticos, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pelo
Broadcast. As conversas são preliminares e devem ser feitas até o desembarque
do petista em Nova Délhi.
Na Índia, conforme apurou a reportagem, Lula também deve
participar de uma cúpula de autoridades que discutirão assuntos relacionados à
inteligência artificial. O comércio entre Brasil e Índia alcançou um recorde em
2025, superando a cifra de R$ 15 bilhões.
O movimento de Trump sobre minerais críticos é semelhante à
proposta da Casa Branca de criar um Conselho de Paz como solução para Gaza, mas
que se mostrou uma alternativa às funções da Organização das Nações Unidas
(ONU) para conflitos mundiais sob a presidência e poder de veto de Trump.
O governo brasileiro resiste a entrar na aliança militar, e
Lula recomendou a Trump que ela se limite à questão palestina e que os líderes
se engajem em promover reformas na ONU.
Conforme apurou o Broadcast, o governo acredita que uma
eventual negativa não deve prejudicar a boa relação entre o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e Donald Trump construída nos últimos meses.
A expectativa é que Lula vá a Washington visitar Trump no
próximo mês. As prioridades do governo é discutir uma cooperação bilateral para
a segurança pública dos dois países, além de colocar uma pá de cal nas sanções
americanas contra autoridades brasileiras e os produtos brasileiros que ainda
são alvos do tarifaço de 50%. É esperado que a discussão sobre os minerais
críticos também entre na pauta.
O Brasil possui a segunda maior reserva de minerais críticos
do planeta, e o plano do governo Lula é tornar o Brasil um polo processador, e
não só apenas ser um fornecedor global. Aliados do presidente observam que é
preciso "corrigir erros do passado" onde o País não processava e não
adquiria valor agregado nos minérios.


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