A relação entre Brasil e Estados Unidos atravessa um momento de tensão diplomática. A Casa Branca divulgou, nesta quinta-feira (23), a agenda oficial da próxima viagem do presidente Donald Trump à Ásia, e o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou de fora. A ausência de qualquer encontro entre os dois líderes, segundo fontes diplomáticas, é resultado direto do incômodo causado pelas recentes declarações de Lula sobre a criação de uma moeda alternativa ao dólar.
Críticas de Lula geram desconforto em Washington
Durante o fórum do G77 em Havana, em setembro de
2023, Lula afirmou que “o mundo não pode continuar refém de uma única moeda
controlada por um país só”. A frase, interpretada como uma crítica à hegemonia
financeira dos Estados Unidos, teria desagradado profundamente a equipe de
Trump, que mantém um discurso voltado à fortalecimento do dólar e da
economia americana.
Diplomatas próximos ao republicano afirmam que o presidente
norte-americano “não esquece críticas pessoais” e prefere priorizar líderes que
“entreguem resultados concretos” para os interesses dos EUA. Segundo fontes
ligadas à Casa Branca, a ideia de um encontro com Lula chegou a ser avaliada,
mas foi descartada após a fala do petista e a percepção de que
o Brasil estaria se alinhando a agendas consideradas concorrentes à
norte-americana.
Tentativas frustradas de reaproximação
Nos bastidores, o Itamaraty vinha
articulando uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante a passagem do
norte-americano pela Ásia. O gesto seria visto como uma tentativa de
reaproximação entre as duas potências, após meses de trocas públicas de farpas
e posições divergentes em fóruns multilaterais.
Contudo, com o clima de desconfiança crescente,
a Casa Branca optou por manter distância. Uma fonte próxima ao
governo brasileiro afirmou que ainda existe a esperança de um encontro
informal à margem dos eventos internacionais, mas a assessoria de Trump foi
categórica: “Não há mudanças previstas na agenda.”
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt,
reforçou a posição oficial: “A viagem do presidente Trump é focada em
resultados econômicos e estratégicos. O objetivo é trazer grandes acordos e
novos empregos para os Estados Unidos.”
Viagem à Ásia sem o Brasil no radar
Trump embarca nesta sexta-feira (24) para uma extensa viagem
pela Ásia. O roteiro começa na Malásia, onde ele participará
da Cúpula da ASEAN e discutirá temas como comércio com
China e Japão, além de acordos de paz entre Tailândia e Camboja.
Em seguida, o presidente segue para o Japão,
onde se reunirá com a primeira-ministra Sanae Takaichi para
firmar um pacote de investimentos estimado em US$ 550 bilhões.
Depois, viajará para a Coreia do Sul, onde participará da Cúpula
da APEC e terá uma reunião bilateral com o líder chinês Xi
Jinping.
Entre os principais temas da viagem estão tensões
comerciais, exportação de minerais raros, compras de soja americana, parcerias
automotivas e fundos de investimento regionais.
Enquanto isso, em Brasília, o clima é de cautela. Assessores
de Lula avaliam que a exclusão do Brasil da agenda oficial sinaliza um
distanciamento preocupante, especialmente em um momento em que o governo
tenta fortalecer sua imagem internacional e ampliar acordos bilaterais.


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